A CEIA DO SENHOR

 

 

“Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor” (I Coríntios 11:25-26).

A passagem acima é de autoria do apóstolo Paulo à problemática Igreja na cidade de Corinto. Paulo mandou algumas cartas para instruir os irmãos desta Igreja. Sabemos que a cidade de Corinto, localizada na lendária Grécia, era um antro de perversidades em razão da sua posição geográfica e sua intensa atividade comercial. Quem queria ganhar muito dinheiro e ter oportunidade de enriquecer, Corinto era o lugar ideal para realizar esse sonho. Era uma cidade próspera e de suma importância para o Império Romano que dominava o mundo naquela época. Contudo, como qualquer cidade rica e próspera, o pecado predominava em Corinto. Paulo chegou nesta cidade e pregou o Evangelho de Jesus Cristo. Com a ajuda de um casal de judeu crente, Áquila e Priscila, Paulo conseguiu com Silas e Timóteo organizar uma Igreja em Corinto. Veja Atos 18:2,5.

Paulo era um plantador de igrejas, e por isso, não podia ficar muito tempo em uma cidade. Ele ficava o tempo suficiente para organizar o trabalho e doutrinar os convertidos, e depois tinha que partir para outros lugares para plantar outras igrejas. A maioria das vezes ele deixava alguém para ajudar a igreja escolher seu pastor e diácono. Veja Tito 1:5; I Timóteo 3:1-8.

Depois de um ano e seis meses na cidade de Corinto, e tendo deixado uma Igreja doutrinada, Paulo teve que sair e deixar o trabalho aos cuidados de outros. Veja Atos 18:11, 18. O fundamento, ou alicerce foi colocado sabiamente por Paulo na Igreja de Corinto. Esse fundamento é o Senhor Jesus Cristo. Veja I Coríntios 3:10-11. Com o passar do tempo a Igreja de Corinto recebeu influências de outros pregadores religiosos. Apolo, homem eloqüente e poderosa nas Escrituras – Atos 18:24 – passou em Corinto depois de Paulo. Veja Atos 19:1; I Coríntios 3:-5-6; 4:6. Outros pregadores passaram por Corinto pregando doutrinas falsas. Alguns chegaram a ensinar que não há a ressurreição de mortos. Veja I Coríntios 15:12.

Toda a confusão doutrinária entre os coríntios, sem dúvida alguma, foi em razão da grande mescla de gente, de toda a parte do mundo, que dominava a cidade de Corinto. Conseqüentemente, a Igreja recebeu pessoas de diversas culturas que influenciou negativamente a maioria de seus membros.

A CEIA DO SENHOR É UM SIMBOLISMO

No Antigo Testamento havia vários simbolismos representados pelas cerimônias através da lei mosaica. No Novo Testamento só existem dois simbolismos que a Igreja de Cristo deve praticar e observar até à sua volta. No estudo de número 38 observamos o Batismo de João Batista, cerimônia que ele praticava para simbolizar o genuíno arrependimento do pecador. Todos os apóstolos foram batizados por João Batista. Jesus queria deixar bem claro ao mundo que a sua morte seria em prol do pecador arrependido. Por isso ele também resolveu passar pelo batismo de João, e assim simbolicamente mostrar sua morte, através do batismo. Pois o batismo é um verdadeiro sepultamento, e assim mostra que está morto para com o mundo e o pecado. Veja Romanos 6:4-5; Colossenses 2:12.

A ceia do Senhor é outro simbolismo muito significativo. Enquanto que o batismo representa a morte e a ressurreição do pecador arrependido, a ceia simboliza única e exclusivamente a morte do Senhor a favor do perdido. Jesus disse: “...fazei isto em memória de mim” (I Coríntios 11:24).

O PÃO REPRESENTA O CORPO DE CRISTO

Antes de instituir a ceia, Jesus celebrou a páscoa com os seus discípulos. A celebração da páscoa foi uma ordenança de Deus para lembrar a libertação dos judeus de sua escravidão do Egito. Os judeus ficaram escravos no Egito e ali sofreram muitas humilhações. A escravidão dos judeus na dura servidão aos egípcios foi comparada a um forno ardente. Veja Deuteronômio 4:20. Também foi comparada a uma fornalha de ferro. Veja Jeremias 11:4. Jesus observava e cumpria a lei divina quando estava aqui neste mundo. Aliás, a lei, em sua integridade foi cumprida por Jesus Cristo. Veja Romanos 10:4. Quando ele praticou a páscoa dos judeus, estava reconhecendo o valor simbólico dessa cerimônia que Israel praticava durante séculos. A páscoa para o povo de Israel representa o grande alívio que gozaram através da libertação efetuada por Deus mediante Moisés. Para praticar a páscoa era necessário matar um cordeiro para assar a sua carne e comê-lo. Jesus é o Cordeiro de Deus que deve, simbolicamente, ser comido pelo pecador para satisfazer a sua fome espiritual. Vejamos o que Jesus mesmo disse a respeito desta grande verdade.

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. A minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida” (João 6:54-55).

Logo depois de celebrar a páscoa judaica Jesus inaugurou a ceia. À semelhança da páscoa, a ceia também representa a sua morte que nos liberta do Egito, isto é, da escravidão do pecado. O cordeiro que era sacrificado para comemorar a páscoa tinha que ser sem nenhum defeito. Veja Êxodo 12:5. Jesus como Cordeiro que tira o pecado do mundo – João 1:29 – também não tinha nenhum defeito. Nele não havia pecado. Veja as seguintes passagens: I Pedro 2:22; Isaías 53:9; João 8:46; II Coríntios 5:21;  Hebreus 4:15; 7:26; I João 3:5.

Seu corpo tinha que ser sem nenhum defeito. Não havia em seu corpo nenhuma cicatriz e nenhuma outra marca. A marca que ele recebeu quando enfrentou a morte foi os ferimentos dos nossos pecados. Jesus recebeu as chicotadas em seu corpo por causa dos nossos pecados. Também ele recebeu a coroa de espinhos que sangrou a sua cabeça. Os grandes pregos que o fixou na cruz produziram feridas dolorosas em sua carne. Finalmente, ele recebeu o golpe final que foi o castigo de nossas transgressões que resultou em sua morte física.

Sim, o corpo de nosso Senhor provou dores terríveis por causa de nossos pecados. Por isso o seu corpo é representado como pão que satisfaz a fome espiritual do pecador. A ceia que a sua Igreja deve realizar periodicamente representa com muita propriedade o seu corpo perfeito através do pão.

Para mostrar que o seu corpo era perfeito, isento de pecado e de qualquer imperfeição, a Bíblia diz que não havia fermento no pão.

A páscoa, da qual originou a ceia do Senhor, não havia fermento em seus elementos comestíveis. Veja Êxodo 12:8; 15, 17, 18; Números 9:10-11; Deuteronômio 16:3; Ezequiel 45:21. Em todas essas passagens, e muitas outras no Velho Testamento, observamos que para comemorar a páscoa o pão devia ser comido ser fermento.

“Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade” (I Coríntios 5:8).

O pão ázimo, isento de fermento, representa o corpo perfeito do Senhor Jesus. Aprendemos pela Bíblia que o fermento simboliza o pecado. Veja Mateus 16:11-12; Gálatas 5:9; I Coríntios 5:6-7. Até mesmo Pilatos, encarregado de julgar a Cristo, chegou a confessar que não achou nenhum crime nele. Veja João 19:6. Portanto, Jesus foi uma pessoa cuja pureza foi reconhecida até mesmo pelos seus inimigos. O retrato representado pelo pão ázimo mostra a pureza do corpo de Jesus.

Quando comemos o pão asmo ou ázimo, simboliza que aceitamos Jesus como o imolado de Deus em favor de nossos pecados. Somente Jesus Cristo satisfaz plenamente a fome espiritual do pecador arrependido. Ele é o verdadeiro pão que desceu do céu. Veja João 6:32.

O CÁLICE REPRESENTA O SANGUE DE CRISTO

Para fazer expiação de pecados, era necessário sangue. No Velho Testamento o sangue é mostrado como essencial para remissão de pecados. Já nos primórdios da raça humana temos notícias de que Deus exigiu sangue como símbolo de remissão da culpa e falha do homem. Vamos às Escrituras para nos informar disso:

“E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante” (Gênesis 4:3-5).

Ambos os irmãos, e primeiros homens nascidos de parto natural, através de Eva, primeira mulher existente na terra, eram filhos do mesmo pai e da mesma mãe. No entanto, eram de caráter diferentes. Um temia o Senhor, e o outro não temia. Abel serviu ao Senhor com oferta, sacrificando assim primogênitos de suas ovelhas como prova de que confiava na redenção de pecados através do sangue.

“Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma” (Levítico 17:11).

A oferta de Caim não foi aceita porque não havia sangue. Ele apresentou a sua oferta baseada no fruto da terra. A oferta de Abel foi aceita porque foi baseada nos melhores animais do seu rebanho. As ovelhas que Abel ofereceu como sacrifício ao Senhor tinham gordura. Prova de que os animais apresentados por Abel tinham sido mortos e, conseqüentemente, seu sangue derramado.

Em todo o Velho Testamento Deus exige sacrifício de animais com sangue. Era necessário derramamento de sangue para satisfazer a justiça divina a fim de que o pecado fosse expiado.

“E quase todas as coisa, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão” (Hebreus 9:22).

E todos os ritos que eram exigidos de acordo com a lei no, Velho Testamento, para representar o derramamento de sangue, foi simplificado numa pequena cerimônia inaugurada por Jesus logo após ter comemorado a páscoa. É conhecida pelos crentes como a Ceia do Senhor. Dois elementos, e somente dois elementos são usados para lembrar de sua morte sacrifical.

Quando Jesus deu o cálice aos seus discípulos, ele disse: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22:20). Veja também I Coríntios 11:25.

Quando se refere cálice, sem dúvida alguma, está referindo ao conteúdo que simboliza o seu sangue. Neste caso, Jesus está referindo do fruto da vide. Veja Mateus 26:29; Marcos 14:25; Lucas 22:18.

Fruto da vide é o fruto da uva. A ciência descobriu que a uva tem nutrientes benéficos para a saúde do homem. Inclusive já se fez experiência com mulheres estéreis, dando certa quantia de vitamina E, que se encontra abundantemente na uva, e tais mulheres se tornaram férteis. Então, não é por acaso que Jesus escolheu o fruto da vide para simbolizar o seu sangue. O sangue de Jesus Cristo dá vida eterna para todos os que nele crêem. É através do sangue de Jesus que Deus aceitou o pagamento de todas as dívidas do homem. Essas dívidas eram impagáveis pelo homem. Veja o que a Bíblia diz:

“Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do nosso meio, cravando-a na cruz” (Colossenses 2:14).

A CEIA É RESTRITA AOS MEMBROS DA IGREJA

No mundo chamado evangélico há uma grande confusão com essa importante cerimônia deixada por Jesus Cristo. Devido à crença na chamada Igreja Invisível, a maioria das igrejas, principalmente de origens protestantes, acreditam que todos os crentes têm direito em tomar a Ceia do Senhor quando estão em visita a uma determinada igreja. Infelizmente, muitas igrejas batistas caíram nesse erro. Copiaram a idéia dos protestantes. Quando Lutero saiu da Igreja Católica ele inventou a idéia de que a Igreja de Cristo é universal e invisível, ou seja, todos os convertidos fazem parte desta igreja. Em razão disso, as igrejas que copiaram a idéia de Lutero, recebem membros de qualquer igreja evangélica e oferecem ceia para membros de outras igrejas.

No entanto, aprendemos que a ceia deve ser praticada somente pelos membros da igreja local. Sabemos que Jesus mesmo fez parte da Igreja local, e, por isso, ele ofereceu a ceia somente aos membros da Igreja.

Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos” (26:26-27).

 

E, chegada a hora, pôs-se à mesa, e, com ele, os doze apóstolos. E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta Páscoa, antes que padeça” (Lucas 22:14).

Paulo entregou a ceia a uma igreja local, ou seja, a Igreja da cidade de Corinto.

Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todos as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha. I Coríntios 11:23-26.

 

Paulo dirige essas palavras, não a uma igreja universal e invisível, mas sim, a uma igreja local e visível. Suas palavras e recomendações são endereçadas à Igreja de Corinto. Portanto, uma Igreja localizada numa determinada cidade grega. Esta Igreja não tinha costumes judaico. Conforme vimos no começo do estudo desta quadragésima parte, a cidade de Corinto, embora sendo grega, era constituída de uma mistura de raças de toda a parte do mundo. Os aventureiros vinham ali em busca de dinheiro e diversão. Paulo pregou a essa mescla de gente, e naturalmente muitos aceitaram a Jesus como seu Salvador. Porém, eles trouxeram muita bagagem pagã e infectaram a Igreja de Cristo com seus hábitos e vícios.

Antes do apóstolo Paulo sair de Corinto, ele ensinou como deveria celebrar a ceia do Senhor. Contudo, tendo ele saído, a Igreja não obedeceu as normas que recebeu do apóstolo para tomar a ceia do Senhor. Veja I Coríntios 11:20-34. Por isso Paulo tinha que mandar uma carta para repreender os irmãos que estavam farreando, ou brincando com uma cerimônia tão santa e significativa instituída pelo Senhor.

Como poderia Paulo corrigir uma igreja universal e invisível através de carta? É absurdo crer que a ceia deve oferecer a crentes que não são membros do mesmo corpo quando lemos a primeira carta de Paulo aos coríntios. Ele deixa claro que a igreja local é que se responsabiliza pelo procedimento dos membros em relação à ceia do Senhor. Veja o que ele disse à Igreja de Corinto:

De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor. Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem forme e outro embriaga-se. Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo. I Coríntios 11:20-22.

Repetimos novamente, Paulo está dirigindo a uma igreja local. Ele repreende os irmãos que, indevidamente, estavam reunindo para a ceia do Senhor. Ao invés de celebrar a ceia do Senhor, eles estavam fazendo um tipo de piquenique, e assim diziam que era a ceia que comemoravam. Paulo disse a eles que isto não era a ceia. Veja versículo 20. Pois eles deixavam de comer em suas casas para comerem suas refeições na Igreja. Os mais privilegiados financeiramente envergonhavam os que não tinham com quê fazer este piquenique. Os pobres que não tinham lanches na hora da festança ficavam humilhados. Veja versículos 21 e 22.

Os que defendem a igreja invisível e universal não têm argumentos para explicar a razão de Paulo ter tanta preocupação com o desleixo dos coríntios com a ceia do Senhor. Pois os que defendem a “ceia aberta” dizem que essa cerimônia não é tão relevante como alguns alegam, mas sim o importante é comemorar, não levando em consideração a maneira. Então por quê Paulo deu tanta importância à maneira em que os coríntios comemoravam?

Paulo chegou a dizer que, em razão da maneira que os coríntios estavam considerando a ceia, que muitos deles estavam doentes, fracos e muitos já tinham sido mortos. Veja o versículo 30. Ora, Paulo não podia corrigir uma igreja universal e invisível dessa maneira! Portanto, Paulo tinha a forte convicção de que cada igreja local é responsável pela celebração correta da ceia do Senhor Jesus.

A CEIA ESTÁ LIGADA À DISCIPLINA DA IGREJA

Ainda a essa mesma Igreja de Corinto, Paulo instrui os irmãos para disciplinar um membro imoral.  Estude o capítulo 5. Este irmão estava cometendo pecado de adultério. Tudo indica que ele dormia com a mulher de seu pai; portanto sua madrasta. Veja I Coríntios 5:1. Paulo orienta essa Igreja a excluir ou tirar de seu meio esse imoral. Veja versículos 2-5.

Depois da orientação dada por Paulo, ele diz que o pecado é como fermento que afeta toda a massa. Veja versículo 6. A Igreja local, como um corpo de Cristo, deve ser limpa, ou seja, sem nenhum vício ou pecado hediondo. Somos pecadores, mas não pecadores dominados pelos vícios e devassidões que escravizam o mundo. Sabemos que o mundo está sob o domínio do mal, ou sob o poder de Satanás. A Igreja é feita de pessoas arrependidas e dispostas a não voltar na prática da vida desregrada do passado. Observe o conselho do apóstolo Pedro:

“...para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus. Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias...” (I Pedro 4:2-3).

Sim, a vida do convertido, apesar de fraquezas e falhas, tem que ser diferente daquela de quando não era crente em Jesus Cristo. Se acaso o convertido continuar na Igreja a vida do passado, então é comparado a um fermento que leveda a massa (Igreja) toda. Veja versículos 6-8. Observe que é a massa (Igreja) local que pode ser levedada. Como uma igreja universal e invisível tem condições de corrigir um membro errado?  Não é à toa que vivemos num mundo em que há uma anarquia de religiões com seus membros afundados na sordidez do pecado. Se visitar uma prisão e penitenciária e perguntar aos encarcerados se são cristãos, a resposta deles sempre é positiva. Dizem que nasceram numa religião, que foram batizados e que crêem num Deus verdadeiro. Ainda são membros de uma determinada igreja, pois os seus líderes acreditam que tais pessoas não podem ser colocadas de lado em razão de seus erros. É um bom argumento para quem não acredita numa igreja neotestamentária que é visível e local. Esse argumento não convenceria o apóstolo Paulo que, inspirado pelo Espírito Santo, recomendou aos coríntios que tirasse de seu meio quem cometeu tal ação. Veja versículo 2.

Em seguida Paulo diz que com tais membros libertinos, a Igreja não se deve associar ou comer a ceia. Veja versículos 9, 11. Como podemos defender a idéia da ceia aberta, se o crente visitante, a quem se oferece o pão e o vinho, tenha sido um crente que está em falta com a sua igreja? Ora, se ele está em falta com a sua igreja, certamente não vai confessar à igreja que está visitando. Por isso cremos que a ceia do Senhor está intimamente ligado com a disciplina da igreja. Paulo disse:

“Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (I Coríntios 10:21). Ninguém, mas ninguém mesmo, que está sob o domínio do inimigo pode participar da mesa ou ceia do Senhor. Não resta dúvida que aquele homem dissoluto, membro da Igreja de Corinto, não obstante ser um crente em Jesus, ele estava sob a influência do Diabo. Aprendemos na Bíblia que o Diabo não pode tirar a salvação do crente; mas, infelizmente, o crente pode dar ocasião ao Diabo para influenciá-lo. Veja Efésios 4:27.

Então se Paulo mandou à Igreja de Corinto tirar de seu seio um irmão errado para impedi-lo de celebrar a ceia do Senhor, devemos concluir que somente os membros da igreja local podem participar da mesa do Senhor. Pois no capítulo 5 da primeira carta de Paulo aos coríntios aprendemos que à igreja local compete julgar e disciplinar os seus membros.  “...com o tal nem ainda comais (a ceia do Senhor). Porque que tenho eu em julgar os que estão de fora? (Aqueles que não são membros da Igreja). Não julgai vós os que estão dentro? (Os que são membros da Igreja).  “...Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo”. I Coríntios 5:11-13.

Oremos, pois, para que Deus nos dê sabedoria para andar em verdade, e submetermos à disciplina de sua Igreja local, credenciada por ele para julgar e disciplinar os que dela fazem parte.

 

Preparado pelo pastor

Antônio Carlos Dias

Igreja Batista Memorial de Bauru

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