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JESUS MORREU POR TODOS?
O SACRIFÍCIO DE CRISTO FOI SÓ PARA MUITOS OU TODOS ?
UM
EXAME DA DOUTRINA DE EXPIAÇÃO PARCIAL
Não
devemos deixar nossa teologia interpretar a Bíblia para nós,
porque a própria Bíblia deve determinar a nossa teologia!
A questão é simples: Cristo fez alguma provisão para aqueles que não são
eleitos?
Para simplificar o assunto, os que crêem na doutrina
de expiação parcial são chamados calvinistas e os
que crêem que Jesus morreu por todos são chamados arminianos.
Porém nos dois grupos há varias diferenças de interpretação
deste assunto. Nestes dois
grupos há muitas divergências sobre varias outras doutrinas. Alguns
calvinistas têm desenvolvido um certo padrão
doutrinário que consiste em cinco doutrinas associadas chamadas
por eles mesmos de “doutrinas da graça”. Este
“arranjo” doutrinário não era conhecido antes da
reforma protestante; não fazia parte das antigas confissões de
fé. No meio de alguns calvinistas, o irmão que não crê em
todos os cinco pontos, ou define um dos pontos diferentemente, é
taxado de arminiano injustamente. Ele é acusado de não crer
na salvação pela graça! Também
o irmão que crê nos cinco pontos é acusado de fatalista
ou é chamado de “casca-grossa” no meio dos outros e isto é também
injusto.
Os batistas históricos não precisam ser chamados
nem de calvinistas e nem de arminianos. Não querem ser chamados
de calvinistas pela associação com o nome do fundador da
Igreja Presbiteriana, João Calvino, um perseguidor dos anabatistas
da sua época. Também não querem ser chamados de arminianos
porque não crêem nas doutrinas de Jacobus Arminius, um teólogo
holandês que lutou contra as idéias calvinistas. Ambos
estes líderes Protestantes eram defensores da união do Estado
com as igrejas! Eram inimigos
dos Batistas da sua época! É errado
exigir um irmão escolher entre Calvino e Arminius e suas respectivas
posições doutrinárias porque os dois eram inimigos
das igrejas verdadeiras da sua época.
Neste estudo, vamos considerar somente um dos cinco pontos
dos calvinistas: a doutrina de expiação parcial. Alguns
batistas fiéis aceitam este ensino mas outros não. Vamos
examinar, primeiramente, algumas passagens bíblicas usadas pelos
calvinistas para defender essa tese.
PASSAGENS QUE FALAM DE EXPIAÇÃO PARCIAL
Mt. 1:21: “E dará à luz
um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu
povo dos seus pecados”. Neste caso, “seu povo” significa
os eleitos, os verdadeiros crentes em Jesus.
Mt. 20:28: “Bem como o filho do homem
não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida
em resgate de muitos”. A conclusão do calvinista é que
Jesus deu a sua vida somente para muitos, isto
é, somente para os eleitos.
Mt. 26:28: “Porque isto é o meu
sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos,
para remissão dos pecados". Dizem que Jesus derramou seu sangue
somente para muitos, não todos.
João 10:15: Jesus disse: “...dou a minha
vida pelas ovelhas.” Dizem que Jesus só morreu para
as ovelhas, quer dizer, só para os eleitos.
Atos 20:28: “Olhai, pois, por vós,
e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos,
para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio
sangue.” Este versículo requer mais estudo depois, mas será que
Jesus morreu só para a sua igreja?
Efésios 5:25: “Vós, maridos, amai
vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si
mesmo se entregou por ela”.
Hebreus 9:28: “Assim também Cristo,
oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda
vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”.
Os calvinistas dizem que Cristo somente tira os pecados dos eleitos.
João 15:13: ”Ninguém tem maior
amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”.
Seus amigos aqui são os eleitos, portanto Cristo deu sua vida somente
por eles.
Estes versículos parecem defender a idéia calvinista
de que Cristo só morreu por uma classe de gente identificada por
várias palavras, tais como a igreja, rebanho, ou seus amigos, etc.
Será que é assim? Quem defende a expiação limitada
aos eleitos usa vários argumentos, portanto é bom examiná-los
cuidadosamente.
OS ARGUMENTOS EM FAVOR DO SACRIFICIO LIMITADO
A Bíblia disse que Cristo morreu por um grupo específico. Eles
são chamados de: suas ovelhas em João 10:11-15; sua igreja em Atos.
20:28 e Efésios 5:25-27;
seu povo em Mateus 1:21; e seus eleitos em Romanos
8:32-35.
Já que os eleitos foram escolhidos desde antes da
fundação do mundo, Efésios
1, Cristo não podia ter morrido por todos os seres-humanos. Seria
uma perda e falta de previsão da parte de Deus deixar Jesus morrer
pelos que não foram escolhidos.
Alguns dizem que Cristo seria um fracasso ou um derrotado
se morresse por todos, sem que todos sejam salvos.
Alguns dizem que Deus não seria justo se deixasse
uma pessoa ir para o inferno se Cristo realmente pagasse seus pecados. O
condenado não devia pagar o que já foi pago. O
tribunal não deixa um réu sofrer duas vezes pelo mesmo crime. Por
que o pecador pagaria seus próprios pecados se a expiação
fosse feita para ele?
Cristo não orou por todos em João 17, mas somente pelos seus escolhidos. Isto é porque
ele não morreu por todos. Já que
a intercessão é limitada, também foi limitada a expiação.
Alguns crêem que a expiação sem limites
tende a nos levar à
doutrina do universalismo, isto é, que todos serão salvos.
A doutrina da expiação limitada foi ensinada
antigamente por Agostinho e depois na Idade Média por alguns eruditos,
tais como Prosper de Aquitaine, Tomé Bradwardine, e João
Staupitz. Alguns dizem que
João Calvino não ensinou explicitamente esta doutrina, mas
parece que de qualquer modo ele concordou com a idéia em alguns
dos seus escritos. E seus sucessores colocaram esta doutrina na Confissão
dos reformadores e depois na Confissão de Fé chamada “Westminster”.
Mesmo que a Bíblia use termos como “todos” e “mundo” a
respeito da salvação daqueles por quem Jesus morreu, como,
por exemplo, João 3:16,
as palavras se referem aos eleitos somente. “Todos” quer dizer
todas as classes, sem distinção entre judeu e gentio. “Mundo” significa
os eleitos no mundo. “Todo
aquele” é interpretado
“Todo aquele eleito.” Assim
os calvinistas crêem que Jesus morreu somente pelos eleitos.
Eles são obrigados a “explicar”, de uma
forma complicada, o uso de palavras simples da Bíblia para sustentar
sua tese. Isto é contra
o bom senso e o uso normal da língua. Em
vez de aceitar o sentido natural da palavra, o que é evidente, aceitam
uma explicação mais complicada e menos provável. Por
esta razão muitos deles usam a lógica e argumentos complicados
para evitar o que é simples!
NOTEMOS OS ERROS
DESTES ARGUMENTOS
Vamos examinar algumas das passagens que sustentam a doutrina
de expiação sem limites: Esta posição é Bíblica
e há muitas passagens que sustentam esta interpretação
sem usar explicações complexas.
Lucas 19:10 “Porque o Filho do homem veio
buscar e salvar o que se havia perdido”. Vamos perguntar, “Quem é perdido? É a
humanidade inteira, em sua totalidade, ou só os eleitos?” Todos
os homens estão perdidos. A mais natural interpretação é que
Jesus veio buscar e salvar todos os perdidos. Não diz que
todos serão salvos. Se Jesus veio só para os eleitos, então os outros no mundo
não são perdidos! Logo
se os não escolhidos não são perdidos, então
não há necessidade da sua salvação. Neste
caso os eleitos seriam os únicos perdidos, e os outros que não
vão aceitar a palavra não seriam perdidos! Que doutrina estranha!
João 1:29 “Eis o Cordeiro de Deus, que
tira o pecado do mundo.” O que quer dizer “mundo” neste
versículo? Será que é
o “mundo dos eleitos”? Não. É a
raça humana no seu estado caído e separado de Deus. Até João
Calvino pregava que nesta passagem o mundo é a raça inteira,
e não somente os eleitos! A expiação é suficiente para tirar o pecado de todos
os perdidos no mundo. Jesus é o Cordeiro ou sacrifício para
o mundo inteiro. Não há necessidade ou justificação
colocar as palavras “dos eleitos” neste versículo. Jesus é o
Cordeiro de todos os pecadores.
João 3:16 “Porque Deus amou o mundo
de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele
que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. É
importante observar que este versículo não pode ser separado
do contexto nos vs. 14 e 15. Jesus
cita o caso em Números 21, onde Moisés levantou uma serpente feita
de bronze no campo de Israel para que todo aquele que olhasse para ela seria
curado fisicamente de sua picada. Jesus faz uma comparação
espiritual entre este incidente e a salvação do pecador. Qualquer
pessoa picada pela serpente podia olhar para a serpente de bronze e ser curada.
Qualquer pecador que olhar para Jesus será salvo eternamente. Seu
sacrifício foi suficiente para todos picados pela serpente, isto é,
todos os pecadores. Se um pecador
não se salva, a culpa é dele e não por falta do remédio. Não
havia limite. Quem olhasse seria curado, pois a morte de Jesus é
suficiente para todos, mas eficiente somente para aquele que olhar para Ele.
João 4:42 “E diziam à mulher:
Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque
nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é
verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo”. Será que
a mulher e os Samaritanos pensavam que Jesus é “O Salvador do
mundo dos escolhidos”?
I Tm. 4:10 “Pois esperamos no Deus vivo,
que
é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis.” Isto é uma
clara distinção entre todos os homens e os que crêem. O
Salvador fez algo para todos os homens, mesmo que não sejam os eleitos. Há provisão
para todos os humanos, mas esta provisão é somente eficiente
para os crentes.
Hebreus 2:9 “Vemos, porém,
coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco
menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela
graça de Deus, provasse a morte por todos”. A palavra “todos” em
grego (pantos)
é mais bem traduzida “cada” e não “todos”,
que seria outra palavra (panton). Por
que Deus usou pantos (cada um) e
não panton (todos)? Porque
o singular enfatiza mais a morte de Jesus por cada indivíduo. Cristo
morreu por cada indivíduo.
Rm. 5:6 “Porque Cristo, estando
nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.” Não
disse aqui que Cristo morreu pelos eleitos no meio de outros ímpios,
ou por alguns ímpios. Se
alguém é
ímpio, então Cristo morreu por ele. Se
não morreu por todos, então os não eleitos não
podem ser considerados
ímpios. Se fosse assim, somente os eleitos seriam ímpios!
Rm. 5:18 “Pois assim como por
uma só
ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação,
assim também por um só ato de justiça veio a graça
sobre todos os homens para justificação de vida.” Se a ofensa veio sobre todos, então a graça veio sobre
todos também. Nós
não temos direito de mudar o sentido da palavra para acomodar um ponto
do calvinismo. Se Cristo não morreu por todos os homens, então
nem todos os homens são condenados. Se
a graça não veio sobre todos os homens, então havia
homens que nunca foram condenados. Mas justamente é isto que alguns
calvinistas crêem, isto é, que na realidade o escolhido NUNCA
FOI PERDIDO! Isto cria mais um
problema para alguns calvinistas. Se o eleito nunca foi perdido, por que
Jesus viria para buscá-lo e salvá-lo! (Lucas 19:10). A verdade é que
Cristo sofreu por todos os homens, mas nem todos recebem a salvação
que ele efetuou. A graça veio sobre todos porque todos são
condenados, mas somente os que crêem em Jesus são justificados.
II Co. 5:14-15 “Porque o amor de Cristo
nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos,
logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não
vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” Se
todos os homens estão mortos nos seus pecados e ofensas, então
Jesus morreu por todos os homens.
“Todos pecaram e destituídos estão da glória de
Deus,” Ro. 3:23. Todos os homens eleitos ou todos os homens? Podemos ler,
“Todos os eleitos pecaram e
destituídos estão da glória de Deus”? Se
todos os homens não fossem mortos, Jesus não teria morrido “por
todos” mas sim, só para os eleitos. Neste caso os eleitos seriam
os únicos mortos espirituais! Se somente os eleitos são mortos
espirituais, então os não eleitos não são perdidos!
Que absurdo! Mas versículos 14 e 15 dizem que Jesus
“morreu por todos”. A
frase que segue,
“os que vivem não vivam mais para si” mostra que alguns
são vivificados, ou tem vida eterna, e outros não. São
os crentes que não devem viver mais para si, mas para Cristo que morreu
por eles. Isto não nega,
porém, que morreu também para os demais.
1 João
2:2 “E ele é a propiciação
pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também
pelos de todo o mundo”. Quem está incluído nas palavras, “nossos
pecados?” Suponhamos que sejam os eleitos. Muito bem. Então,
quem é indicado na seguinte frase, “mas também
pelos de todo o mundo?” A verdade
é que o sacrifício de Jesus para nossos pecados foi não
somente para nós que cremos, mas para todos os pecadores. Sua
morte é suficiente para salvar qualquer um ou todos. Quando
lemos esta passagem de João com naturalidade, sem impor nela nossa interpretação
própria ou nossa presunção, entendemos que a propiciação
(sacrifício satisfatório) foi feita para todos os homens e não
somente para os escolhidos. Simplesmente não dá
sentido dizer que Jesus morreu pelos pecados dos eleitos, e não somente
por eles, mas também pelos pecados do mundo dos eleitos! A verdade é que
a propiciação ou expiação foi feita para todos
os homens. Somente quem crê será salvo.
Isaias 53:6 “Todos nós andávamos
desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR
fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.” Este
versículo não faz sentido se a palavra “todos” que
descreve os desgarrados não for o mesmo “todos” para
os quais o Senhor morreu. O
Senhor Deus fez cair sobre Jesus Cristo, “o cordeiro que tira o pecado
do mundo”, a iniqüidade de todos que andavam desgarrados como
ovelhas. Se todos erraram, então Cristo morreu por eles. Se não
morreu para os não eleitos, então estes não estavam
desviados do caminho.
II Pe.2:1. Pedro disse que Cristo pagou
o preço de redenção até para os falsos ensinadores
que o negam! “E também
houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também
falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição,
e negarão o Senhor que os resgatou,
trazendo sobre si mesmos repentina perdição”. Pedro
mostra claramente que o povo para o qual Jesus morreu realmente é perdido.
Os perdidos incluem falsos profetas, falsos doutores e hereges. São
perdidos e serão julgados porque negam “o Senhor que os resgatou”. A palavra “resgatou” é a
tradução do grego “agorazo”
e é a mesma palavra usada em Mateus 13:44 e 46, onde o homem comprou
uma propriedade inteira para receber um grande tesouro! Jesus
morreu e comprou de volta tudo que foi perdido no jardim do Éden para
salvar os que crêem nele. Há distinção entre os
pelos quais Jesus morreu (todos) e os que serão salvos (os crentes). Portanto
Jesus morreu pelos não eleitos, até
mesmo para os falsos doutores. Cada um leva a sua própria culpa.
João
3:17 “Porque Deus enviou
o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para
que o mundo fosse salvo por ele”. João Calvino disse que
Deus não quer que os ímpios sejam excessivamente taxados
com uma destruição eterna porque Ele apontou seu Filho
para ser o Salvador do mundo. A palavra “mundo”
foi repetida para que nenhum homem sinta excluído se tão somente
cresse em Cristo. Deus claramente fez provisão para todos os seres-humanos. Também
há muitas passagens que ensinam que o evangelho deve ser pregado a
todas as criaturas, universalmente. Como
pode ser verdade se somente alguns têm a possibilidade de serem salvos?
Considere o seguinte: Mt.
24:14 disse que o evangelho do reino será pregado ao mundo
inteiro como testemunho e depois virá o fim. Em Mt.
28:19-20 Jesus manda a igreja fazer discípulos em todas as
nações, batizar os crentes e ensinar a palavra. Ele mandou
a igreja pregar o evangelho a toda criatura, Marcos
16:15. Em At. 1:8 Jesus
disse “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de
vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém
como em toda a Judéia e Samaria até aos confins da terra”.
Considerando tais passagens, é legítimo perguntar
o seguinte: se Cristo morreu somente pelos eleitos, como pode ser feita uma
oferta de salvação para todas as pessoas sem alguma insinceridade,
artificialidade ou desonestidade neste processo? Se
Cristo não morreu por todos, não seria um pouco impróprio
oferecer a salvação a todos? Alguns irmãos, vendo
este problema, chegam à conclusão falsa de que não há oferta de salvação a todos! Dizem
que não devemos oferecer Cristo a ninguém ou fazer um apelo
aos descrentes! Muitos dos nossos irmãos que pensam assim não
pedem a ninguém aceitar o evangelho por causa dos excessos
emocionais dos outros que pregam uma “salvação fácil
e barata”. Alguns dos
mais radicais crêem que uma pessoa pode ser salva sem ouvir o evangelho! São
coerentes, mas errados. O evangelho é o poder de Deus para a salvação
para quem crê no Senhor Jesus, não para quem sabe defender
cinco pontos teológicos inventados por um protestante!
A verdade é que quem crê que Jesus morreu só para
os eleitos não pode dizer a qualquer pecador, com verdadeira convicção
e certeza,
“Cristo morreu por você”.
Como podemos colocar todos os versículos sobre este
assunto juntos numa maneira harmoniosa sem contradição? Alguns
versículos parecem ser irreconciliáveis com outros. Alguns
dizem claramente que Cristo morreu por alguns, mas outros mostram que morreu
por todos! É lógico
que se Jesus morreu por todos, morreu também por “alguns”. Para
a doutrina da reconciliação parcial ser comprovada, tem que provar que Jesus morreu SOMENTE por
alguns. É verdade
que Jesus morreu pelas ovelhas, isto é, por muitos (Mt.
26:28). Também morreu por sua igreja, mas isto NÃO nega
o fato que morreu por todos os outros crentes também. Não
há
problema em dizer que Ele morreu por um grupo especificamente, mas cremos
que há um problema em negar as claras passagens que dizem que morreu
por todos.
TODOS OS CRENTES FAZEM PARTE DA IGREJA?
At. 20:28 “Olhai, pois, por vós,
e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos,
para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio
sangue”. Paulo disse que Deus resgatou sua igreja com seu próprio
sangue. Se usarmos a mesma
lógica dos calvinistas, chegamos à conclusão que Deus só resgatou
a igreja e não a todos os crentes! Por
esta razão muitos calvinistas acreditam que a igreja se compõe
de todos os crentes. Crêem que a igreja não é só do
Novo Testamento. Convenientemente acham que o crente não precisa
ser batizado para fazer parte da igreja! A igreja é feita de crentes
batizados biblicamente e unidos no propósito de obedecer a grande
comissão de Cristo. Os
crentes do Velho Testamento não fazem parte da igreja neo-testamentária. Os
crentes que não andam de acordo com a palavra e que são excluídos
da comunhão da sua igreja local também não fazem parte. Os
crentes que não são batizados não fazem parte. Jesus
morreu por sua igreja, mas não só por ela! Ela é um
grupo distinto dos outros na família de Deus. Jesus resgatou com
seu sangue todos da sua igreja, mas também todos os outros crentes
verdadeiros. Da mesma maneira,
posso dizer que a menção de UM grupo pelo qual Jesus morreu
não indica que não morresse pelos outros também! O
sofrimento e sacrifício de Jesus não pode ser limitado só para
os que vão aceitá-lo. Não
há limite no seu imenso amor!
Ef. 5:25-27 “Vós, maridos, amai
vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo
se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água,
pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula,
nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”.
Cristo amou a igreja! O amor
de Cristo é limitado à igreja conforme a lógica calvinista.
Sem dúvida nenhuma, Jesus amou a igreja, e a resgatou
com seu próprio sangue, e a si mesmo se entregou por ela. Ele vai
purificar a igreja e vai apresentá-la a si mesmo totalmente glorificada
e sem defeito. Devemos examinar
este assunto mais um pouco. Jesus
morreu somente pela igreja? Ou
será que morreu por outros salvos que não fazem parte dela? Jesus
morreu pelos crentes do Velho Testamento? Eles
fazem parte da igreja? Os crentes não batizados estão na
igreja? Ser salvo e ser membro da igreja é a mesma coisa? A pessoa
excluída da igreja perde a sua salvação? Estas passagens
dizem que Jesus resgatou a igreja com seu próprio sangue e se entregou
por ela. Este resgate foi parcial,
ou inclui todos os eleitos? Ou será que este resgate se refere a
uma certa classe de pessoas incluídas
no resgate de Cristo? Se usarmos a lógica calvinista da primeira
parte deste trabalho, isto é, que Jesus morreu só pelo seu
povo, só pelos seus amigos, só por muitos, então temos
que concluir que só morreu pela igreja também! Isto
quer dizer que todos estes termos são sinônimos. Todo o eleito
faz parte do “seu povo”, dos “seus amigos”, dos “muitos”,
e “a igreja” também!
Se este for o caso, todos os eleitos, mais cedo ou mais tarde,
serão batizados de acordo com a Bíblia, e vão fazer
parte da igreja que Jesus fundou e deixou no mundo. Por
esta razão muitos calvinistas deixam sua posição sobre
a igreja local e acabam aceitando a idéia da igreja invisível,
feita de todos os crentes. Eles aceitam a teoria de duas igrejas. Será que
todos os crentes fazem parte da igreja Neo-Testamentária? Se
Cristo morreu pela igreja, temos que crer que todos os eleitos fazem parte
dela? Por que não podemos
crer que Ele morreu pela igreja mas também por todos os salvos fora
dela? Por que não podemos
crer que Ele morreu por todos os salvos (eleitos) mas pelos outros perdidos
também?
DEUS AMA TODOS
OS HOMENS?
Incrível
que pareça, há alguns que pregam abertamente que Deus não
ama sua própria criação. Jesus
disse em João 3:16, “Porque Deus
amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que
todo aquele que nele crê
não pereça, mas tenha a vida eterna” mas muitos calvinistas
dizem que este amor é limitado somente aos eleitos.
Eu ouvi pessoalmente um pastor dizer numa conferência dos “Batistas
da Graça Soberana”
que “Deus não ama todos os homens mas odeia alguns.” Pregou
que Deus, “não odeia só o pecado mas odeia o pecador
também,” e muitos dos ouvintes disseram, “Amém!” Muitos crêem
assim mas não falam das suas convicções por falta de
coragem. Aceitam uma teologia em que um dos pontos principais é a expiação
limitada. Eles argumentam
pela lógica assim: "Como pode Deus amar os ímpios que
estão debaixo da sua ira?” Vamos examinar este assunto agora.
Sem
dúvida nenhuma Deus é soberano. É o Senhor dos Exércitos.
Ele faz o que quer e ninguém tem direito de se opor. Ele é onisciente,
onipresente, sempiterno e onipotente, mas o maior atributo ou característico
de Deus é o seu amor. Em I João 4:8 lemos,
“Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”.
Quando
o pecador é salvo, ele nasce do Espírito Santo de Deus. Ele
nasce de novo. É
regenerado e se torna “participante da natureza divina”, 2 Pe 1:4. O crente verdadeiro
mostra o amor de Deus aos outros. Jesus disse que o crente é
reconhecido pelo amor que mostra aos outros. “Nisto todos conhecerão
que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”, João 13:35.
Há vários
tipos de amor, dependendo do relacionamento. Deus tem um amor especial
para os seus filhos. Eu amo minha família mais do que os outros,
mas amo os outros também. Amo
meus amigos mais do que meus inimigos, mas amo estes também. Há
muitas passagens na Bíblia que ensinam que devemos amar uns aos outros.
O amor
é a prova de um crente verdadeiro. Paulo disse em Ef. 2:4: “Mas Deus, que é
riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos
amou...”. Ro 13:8: “A ninguém devais
coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque
quem ama aos outros cumpriu a lei”. Ga 5:13: “Mas servi-vos uns aos
outros pelo amor”. 2Co 13:11: “E o Deus de amor e
de paz será convosco”. Deus ama seu povo. João é chamado o Apóstolo do amor e escreveu
estas passagens: 1Jo 4:7, “Amados, amemo-nos uns
aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido
de Deus e conhece a Deus”. 1 Jo 4:9, “Nisso se manifesta o amor de Deus para conosco:
que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos”. 1 Jo 4:16, “E nós conhecemos,
e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em
amor está em Deus, e Deus nele”. 1 Jo 4:20, “Se alguém diz:
Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois
quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus,
a quem não viu?”
Estas passagens mostram o amor de Deus pelos seus filhos,
mas será que Deus não ama mais ninguém? Será que
Ele somente ama os que são seus filhos? Vamos lembrar o fato que
o crente tem a natureza divina porque é
uma nova criatura e o amor de Deus está derramado no seu coração.
Se
o Pai celestial é amor, seus filhos devem estar cheios de amor também.
Afinal, eles receberam sua natureza divina e o maior elemento desta natureza é o
amor. Em 2 Pe 1:7, somos admoestados a acrescentar à fé várias
virtudes que incluem não só a “caridade” [agape em Grego], mas também o amor
fraternal. O crente tem amor especial pelo outro irmão em Cristo!
Mas será que Jesus ensinou a seus discípulos
que Deus só
ama os eleitos? Devemos amar somente aqueles que nos amam? Os crentes devem
amar só os eleitos? Jesus
disse em Mateus 5:43-46: “Ouvistes
que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu
inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem,
fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem;
para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque
faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre
justos e injustos. Pois se amardes os que vos amam, que galardão tereis?
Não fazem os publicanos também o mesmo?” Ora, se eu devo
amar os meus inimigos e perseguidores, é porque sou filho de Deus
agora e devo demonstrar esta característica da natureza divina.
Amamos os inimigos porque somos filhos de Deus! Deus ama os seus inimigos
também, até aqueles que Ele sabe que nunca vão aceitá-lo. Deus
ama os não eleitos porque Deus é amor.
Paulo disse que Cristo, “estando nós ainda fracos,
morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque apenas alguém morrerá por
um justo; pois poderá
ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para
conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”, Ro 5:6-8. Não
devemos crer que Deus só ama os que O amam! A propiciação
foi feita pelos pecados dos filhos de Deus, mas também para todos
os homens.
1 João 2:2: “E
ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não
somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.”
Todos os direitos pelo autor
Steve H. Montgomery
Novembro de 2006